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Olá pessoal!

Esta semana, começamos um novo tópico, sobre os métodos de controlo nas provas de Orientação.

Para nos apresentar este conjunto de textos sobre o SportIdent e Sistemas de Controlo, temos um dos grandes especialistas nesta matéria, o nosso amigo Rui Botão.

O Rui foi também em 2007, como atleta, o nosso melhor veterano, ao ficar a escassos 3 décimos do 3º lugar da Taça de Portugal Pedestre no H35, bem como obteve um confortável 3º no mesmo conjunto de competições da Ori-BTT. Mas o seu grande resultado este ano, foi sem dúvida, juntamente com o João Valente e o Luís Santos, a vitória no Campeonato Nacional de Estafetas em veteranos.

Mapeando - Tema 24: O SPORTIDENT E OUTROS CONTROLOS I

Olá a todos!

Desde os primórdios da modalidade que existe a necessidade de saber se o atleta passa realmente nos postos de controlo. Será talvez das poucas coisas que nunca mudaram, e talvez nunca venham a mudar, na modalidade.

No início a verificação era feita presencialmente. Havia um controlador em cada ponto que anotava a passagem dos atletas. É um sistema seguro e onde a possibilidade de fazer batota é bastante reduzida. Não sei se faziam alguma verificação temporal para garantir que os pontos eram feitos pela ordem que a organização planeava. Mas nessa altura os percursos eram muito simples e com poucos pontos.

Ter pessoas nos postos de controlo cedo se revelou uma grande seca. Apareceu então o alicate picotador. Nos primeiros alicates, cada um tinha um desenho diferente de picotagem. Mais tarde apareceu o sistema da Silva em que existe uma grelha de 3x3 picos, e podemos nós definir qual o desenho da picagem. Assim à partida o atleta não sabe qual o desenho do alicate que está nos pontos e tem mesmo de lá passar. Vejam que não tem problema haver desenhos de picotagem iguais em vários pontos. Desde que os atletas não o saibam à partida, não tem problema. Com esta forma de controlo os atletas levavam um cartão de controlo com eles, e ao chegar a um ponto só tinham de picar no quadrado respectivo do cartão.

Com este esquema o problema passou ser a verificação dos cartões. Têm de ser verificados à posteriori e apareceu o problema dos atletas que ao picarem muito rápido se enganam nos quadrados de picotagem, ou fazem picotagens incompletas. Continua a ser uma grande seca, mas é preferível estar numa salinha com ar condicionado a verificar cartões do que estar no meio da floresta à espera que apareça alguém. Outro problema que começou a aparecer foi a ordem de picotagem dos pontos. Não existe forma de garantir que o atleta faz o percurso pela ordem correcta.

Foi então que apareceram os sistemas electrónicos, já tão bem conhecidos por todos. Basicamente o atleta leva um dispositivo electrónico com ele e quando chega ao ponto 'pica' num base também electrónica. Para cada picotagem fica registado o número do ponto e a hora a que ele foi picado. Chegando ao final o dispositivo electrónico é lido por um computador que verifica se o percurso foi feito correctamente.

Estes sistemas vieram simplificar em muito o controlo das provas, mesmo que tenham tornado a preparação ligeiramente mais complexa. Lembrem-se que ao mesmo tempo que garantem que o atleta executou o percurso correctamente, também dão logo o tempo final. Com um pouco mais de software fazem logo as classificações finais em tempo real.

Existem actualmente dois sistemas electrónicos homologados pela federação internacional: O SportIdent e o EMIT. O SportIdent é um produto Alemão com grande implantação a nível mundial. É o que utilizamos aqui em Portugal. O EMIT é Norueguês e é principalmente utilizado nos países nórdicos. Embora façam exactamente a mesma coisa, tem formas de funcionamento bastante distintas.

Para a semana iremos ver em detalhe como funciona o sistema SI. Depois faremos uma análise mais crítica do sistema e falaremos dos problemas que podem surgir. Nesta altura faremos a comparação com o sistema EMIT.

Para finalizar queria só dizer que não existe nenhum sistema perfeito. Antigamente os atletas diziam mal dos cartões de controlo e do alicate, agora dizem mal do sistema electrónico. Enquanto houverem desclassificações nas provas, haverá sempre problema com o sistema de controlo...

Até breve.

Para a semana há mais com o Rui Botão.
Fiquem bem,
Alexandre Alvarez